SALVADOR, 477 ANOS: potência histórica, refém do capital

Por Rose Lima

Domingo, 29 de março, Salvador complete 477 anos. Primeira capital do Brasil, carrega uma herança cultural única, marcada pela ancestralidade afro-brasileira e por uma identidade que se projeta para o mundo. Dos casarões do Pelourinho ao Farol da Barra, Salvador segue como um dos principais cartões-postais do Brasil.

 

Mas, para além da beleza e da história, a capital da Bahia enfrenta problemas estruturais que impactam diretamente a vida dos cerca de 2,5 milhões de habitantes. A atual gestão municipal não reza a cartilha do capital. Na real, o prefeito Bruno Reis é a própria encarnação e enquanto os problemas estruturais aprofundam, entrega a cidade às grandes construtoras.

 

Educação em queda livre 

Um dos dados mais alarmantes está na educação. Salvador ocupa a terceira pior colocação entre as capitais brasileiras no quesito, aponta o Ranking de Competitividade dos Municípios 2025, elaborado pelo Centro de Liderança Pública.

O dado mostra a fragilidade no ensino público municipal e escancara um alerta sobre a falta de prioridade dada à área, especialmente diante de investimentos robustos em eventos festivos, obras superficiais e outras frentes que não dialogam diretamente com a base educacional.

 

Crescimento público sem planejamento 

A expansão urbana de Salvador também revela contradições. Os grandes empreendimentos imobiliários, obras mal projetadas reduzem áreas verdes e altera significativamente a dinâmica da cidade.

Com mais asfaltos, os alagamentos se tornaram mais frequentes em períodos de chuva. Obras não planejadas agravam o problema e expõem os reais interesses do traz das medidas.  

 

Transporte público deficitário

A mobilidade urbana é outro ponto crítico. Nos últimos anos, houve redução de linhas de ônibus, deixando a população cada vez mais dependente do sistema metropolitano.

Embora o metrô seja uma alternativa importante, ele não comporta toda a demanda. Quando ocorrem falhas, o impacto é imediato: superlotação, atrasos e uma cidade praticamente paralisada. Sem um sistema integrado eficiente, o número de carros cresce, o trânsito se intensifica e o deslocamento é um grande desafio.

 

 

Desemprego e desigualdade 

Salvador ainda carrega um dos maiores índices de desemprego entre as capitais brasileiras, 8,9% ano passado, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa coloca a cidade na 5ª posição entre as maiores em pessoas sem trabalho do país.

 

A falta de oportunidades amplia desigualdades e atinge, principalmente, a população mais vulnerável, que depende diretamente de políticas de geração de emprego formais mais efetivas.

 

A saúde na pressão

Na saúde, o cenário também é preocupante. A população convive com unidades sobrecarregadas, demora no atendimento e dificuldades de acesso a serviços básicos.