Saúde Caixa em alerta: despesas disparam
A situação preocupa porque aumentar o valor pago pelos usuários e reduzir a rede credenciada pode tornar o plano inviável para muitos empregados e aposentados.
Por Julia Portela
A defesa dos direitos dos usuários do Saúde Caixa continua sendo uma das principais pautas dos bancários. Um novo relatório atuarial, elaborado a pedido da Caixa e apresentado ao CUSC (Conselho de Usuários do Saúde Caixa), mostrou que os gastos do plano cresceram 21,4% em apenas um ano.
Em 2024, as despesas assistenciais do Saúde Caixa ficaram em R$ 3,537 bilhões. Já em 2025, o valor subiu para R$ 4,294 bilhões. O aumento acendeu o alerta entre representantes dos empregados, principalmente porque o plano fechou o ano com déficit de R$ 627 milhões.
A situação preocupa porque aumentar o valor pago pelos usuários e reduzir a rede credenciada pode tornar o plano inviável para muitos empregados e aposentados. Por isso, a mobilização segue em defesa do fim do teto de custeio da Caixa, da aplicação do modelo 70/30 e da manutenção do caráter solidário do Saúde Caixa, em que trabalhadores da ativa e aposentados contribuem juntos para manter o plano.
Uma pesquisa feita com 15.966 usuários mostrou que as maiores reclamações são justamente o aumento dos custos e os problemas na qualidade e abrangência da rede credenciada. O aumento das despesas foi apontado por 46,8% dos participantes, enquanto 25,5% reclamaram da qualidade dos serviços oferecidos.
As propostas apresentadas pela consultoria contratada pela Caixa caminham na direção oposta das reivindicações dos trabalhadores. Entre as medidas sugeridas estão a cobrança por faixa etária, o que pode aumentar ainda mais os custos para aposentados e pessoas mais velhas e a restrição da rede credenciada como forma de reduzir despesas.


