BETS: Superlucro na Copa do Mundo
Em apenas 39 dias de jogos entre seleções de 48 países em três sedes - EUA, México e Canadá - cerca de US$ 50 bilhões foram movimentados em apostas online, o maior volume já registrado em um Mundial.
Por Rose Lima
No domingo, o mundo parou para assistir à final da Copa do Mundo. Ao mesmo tempo, outro placar era construído longe dos estádios. O da indústria das bets. Em apenas 39 dias de jogos entre seleções de 48 países em três sedes - EUA, México e Canadá - cerca de US$ 50 bilhões foram movimentados em apostas online, o maior volume já registrado em um Mundial.
O dado divulgado pelo ICL Notícias chama atenção. Para se ter ideia, o mesmo valor seria suficiente para atender 135 milhões de pessoas que vivem hoje em territórios em crises humanitárias ao redor do mundo.
No Brasil, boa parte do dinheiro saiu diretamente do bolso de trabalhadores mais vulneráveis. As plataformas de apostas online se tornaram presença constante nas transmissões esportivas, nos uniformes dos clubes, nas redes sociais e até entre influenciadores. Apostar passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros.
Mas, como tudo na vida em excesso traz problemas e os relatos de famílias endividadas, pessoas que comprometem o salário tentando recuperar perdas e que desenvolvem dependência dispararam no país. Isto tudo em meio a um mercado que, somente no ano passado, no Brasil, faturou R$ 37 bilhões, pagou apenas R$ 9 bilhões em impostos e causou um prejuízo de R$ 38,8 bilhões à saúde pública.
Os números da Copa mostram que o mercado das bets cresce. O desafio agora é decidir se o crescimento seguirá acontecendo sem limites ou se o interesse público finalmente entrará em campo.


