A saída é suspender a produção
A simples greve de não ir ao trabalho, mas continuar produzindo, termina por atender os interesses dos bancos, que hoje têm como política central o fechamento de agências, pois o bancário, de fato, continua a fazer a atividade laboral de casa, enquanto os clientes são forçados a recorrer exclusivamente aos canais digitais.
Por Rogaciano Medeiros
Embora seja o setor mais lucrativo da economia brasileira, o sistema financeiro é de uma irresponsabilidade social assustadora. Em toda campanha salarial, cria muitas dificuldades para negociar e só entra em entendimento depois que os bancários radicalizam o movimento. Este ano não tem sido diferente.
Integrante do Comando Nacional dos Bancários, o presidente do Sindicato da Bahia, Elder Perez, entende que diante da evidente má vontade da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) na mesa de negociação, chegando ao absurdo de apostar no retrocesso, a única saída para dobrar a intransigência é a suspensão da produção no sistema financeiro.
No entendimento de Elder Perez, de nada adianta fazer greve para pressionar os banqueiros sem a paralisação da engrenagem que move o sistema financeiro, ou seja, a suspensão completa do trabalho à distância, da visita a clientes e da produção extra agência.
A simples greve de não ir ao trabalho, mas continuar produzindo, termina por atender os interesses dos bancos, que hoje têm como política central o fechamento de agências, pois o bancário, de fato, continua a fazer a atividade laboral de casa, enquanto os clientes são forçados a recorrer exclusivamente aos canais digitais.
Com lucros bilionários sempre crescentes, os bancos têm plenas condições de atender as reivindicações da categoria. As cinco maiores marcas em operação no Brasil – Itaú, Bradesco, BB, Caixa e Santander – lucraram, ano passado, R$ 124 bilhões, enquanto nos últimos 11 anos o sistema financeiro extinguiu 100 mil postos de trabalho e fecharam mais de 10 mil agências.


