Fenaban endurece na negociação

A postura dos bancos na mesa contrasta com a realidade do setor. Os cinco maiores bancos brasileiros registraram lucro de R$ 124 bilhões em 2025. É nesse cenário de alta lucratividade que os banqueiros chegam às rodadas propondo congelamento de piso, reajustes diferenciados e até redução de direitos para parte dos trabalhadores.

Por Rose Lima

A oitava rodada de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban acontece na terça-feira (18/08), em meio ao impasse provocado pela postura desrespeitosa das empresas. Até agora, a Federação Nacional dos Bancos não apresentou proposta concreta capaz de responder às demandas da categoria.

 

Na rodada desta quinta-feira (13/08), além de não avançar, a Fenaban insistiu em propostas que criam diferenças entre os trabalhadores e enfraquecem a unidade. Entre as medidas, os bancos sugeriram congelar o piso de ingresso para novos bancários e estabelecer reajustes diferenciados para três faixas salariais. Para piorar, sequer apresentaram os critérios que definiriam as faixas ou os percentuais de reajuste para cada uma delas.

 

A rodada começou às 10h e só terminou depois das 18h, em um ambiente de forte tensão. O presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez, destacou que o Comando Nacional tem mantido firmeza diante da provocação e das tentativas de divisão.

 

A postura dos bancos na mesa contrasta com a realidade do setor. Os cinco maiores bancos brasileiros registraram lucro de R$ 124 bilhões em 2025. É nesse cenário de alta lucratividade que os banqueiros chegam às rodadas propondo congelamento de piso, reajustes diferenciados e até redução de direitos para parte dos trabalhadores.

 

A proposta apresentada pela Fenaban chegou a sugerir a redução dos valores dos vales refeição e alimentação para trabalhadores de cidades do interior, sob o argumento de que nas localidades o custo de vida seria menor. Para as grandes capitais, os bancos admitiriam reajustes.

 

Na prática, a proposta cria uma diferenciação entre bancários de acordo com a região onde trabalham, atacando a lógica de direitos iguais para uma mesma categoria.

 

Durante a negociação, a representação dos bancos também ameaçou recorrer ao TST (Tribunal Superior do Trabalho) caso não houvesse acordo sobre o modelo de reajustes. Mas, recuou.

 

A campanha salarial entra, portanto, em uma nova etapa: com os bancos pressionando e tentando dividir, a resposta precisa ser organização, unidade e mobilização da categoria. A participação na assembleia de segunda-feira é essencial.