Sobrecarga das mulheres permanece
O levantamento mostra que 13,5% das famílias brasileiras são formadas por mulheres sem cônjuge, vivendo com filhos, contra apenas 2% de homens na mesma condição. Ao mesmo tempo, o número de lares chefiados por mulheres aumentou de forma significativa nas últimas décadas, refletindo transformações sociais importantes, mas também a permanência da divisão desigual do trabalho doméstico e do cuidado.
Por Caio Ribeiro
Os novos dados do IBGE sobre os arranjos familiares no Brasil revelam mudanças profundas na sociedade, mas também escancaram uma velha desigualdade: o peso do cuidado e da manutenção da vida continua recaindo majoritariamente sobre as mulheres. Pela primeira vez, casais com filhos deixaram de ser maioria entre as famílias brasileiras, enquanto cresce o número das que criam os filhos sozinhas e assumem integralmente a responsabilidade pelo sustento da casa.
O levantamento mostra que 13,5% das famílias brasileiras são formadas por mulheres sem cônjuge, vivendo com filhos, contra apenas 2% de homens na mesma condição. Ao mesmo tempo, o número de lares chefiados por mulheres aumentou de forma significativa nas últimas décadas, refletindo transformações sociais importantes, mas também a permanência da divisão desigual do trabalho doméstico e do cuidado.
Os dados também evidenciam desigualdades regionais. Bahia, Sergipe, Pernambuco e outros estados do Norte e Nordeste aparecem entre os maiores índices de mães solo do país, realidade diretamente ligada à precarização do trabalho, à ausência de políticas públicas e às desigualdades históricas que atingem principalmente mulheres negras e periféricas.
Mais do que uma mudança no perfil das famílias, o retrato apresentado pelo IBGE expõe os limites de um modelo social que naturaliza a sobrecarga feminina. Mesmo com maior escolaridade e participação no mercado de trabalho, milhões de mulheres seguem acumulando jornadas exaustivas entre emprego, cuidado dos filhos, tarefas domésticas e sobrevivência econômica, sem apoio suficiente do Estado ou divisão igualitária das responsabilidades.


