Bets acendem alerta sobre saúde mental
Mais de 574 mil brasileiros já recorreram à Plataforma Centralizada de Autoexclusão para bloquear o próprio acesso a sites de apostas autorizados no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, 41% dos usuários afirmaram ter perdido o controle sobre o jogo ou sofrer impactos na saúde mental.
Por Caio Ribeiro
Mais de 574 mil brasileiros já recorreram à Plataforma Centralizada de Autoexclusão para bloquear o próprio acesso a sites de apostas autorizados no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, 41% dos usuários afirmaram ter perdido o controle sobre o jogo ou sofrer impactos na saúde mental, evidenciando o avanço preocupante da dependência ligada às bets.
Criada pelo governo Lula no fim de 2025, a ferramenta permite que o usuário solicite, em um único pedido, o bloqueio simultâneo em todas as plataformas regulamentadas de apostas. A maioria dos cadastrados optou pela exclusão por tempo indeterminado, além do bloqueio de novos cadastros e do recebimento de publicidade relacionada às bets.
Além dos impactos emocionais, muitos usuários também apontaram dificuldades financeiras e preocupação com vazamento de dados pessoais como motivos para aderir ao sistema. O crescimento dos pedidos reforça o debate sobre os efeitos sociais das apostas online, principalmente entre trabalhadores e famílias endividadas.
Diante do cenário, o Ministério da Saúde anunciou investimentos em pesquisas e ações de acolhimento voltadas ao tratamento de pessoas afetadas pelo jogo compulsivo. O SUS também passou a oferecer atendimento especializado em saúde mental para casos relacionados às apostas online, enquanto cresce no Congresso a pressão por regras mais rígidas para publicidade e funcionamento das bets no Brasil.


