História: livro de brigadeiro conta a trama golpista 

No governo Bolsonaro (2019-2022), entre 12 de abril de 2021 e 2 de janeiro de 2023, o brigadeiro Baptista Junior esteve à frente do comando da Aeronáutica e acompanhou de perto as pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma tentativa de ruptura institucional, cujo desfecho se daria nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, uma mancha na história da democracia brasileira.

Por Ana Beatriz Leal

As provas da trama golpista são irrefutáveis, quer queira a extrema direita bolsonarista, quer não. Grandes setores das elites e da mídia corporativa ainda negam os fatos, mas quem esteve nas entranhas da tentativa de ruptura institucional pode atestar o que ocorreu. É o caso do tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, que lança o livro Eu disse NÃO! — Uma trincheira antigolpista.
 

A publicação, que chega às livrarias nesta terça-feira (15/09), tem 240 páginas e reconstitui a escalada de tensão que se seguiu à derrota eleitoral de Jair Bolsonaro, em 2022.
 

No governo Bolsonaro (2019-2022), entre 12 de abril de 2021 e 2 de janeiro de 2023, o brigadeiro Baptista Junior esteve à frente do comando da Aeronáutica e acompanhou de perto as pressões para que as Forças Armadas aderissem a uma tentativa de ruptura institucional, cujo desfecho se daria nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, uma mancha na história da democracia brasileira.
 

A extrema direita tenta a todo custo negar os fatos, atacar o Supremo Tribunal Federal, contestar as condenações e transformar Bolsonaro em vítima. A realidade, porém, é que a ruptura não se consumou, sobretudo, pela falta de adesão de setores importantes das Forças Armadas, especialmente o Exército. A pressão dos Estados Unidos sobre a caserna também contribuiu para sinalizar que uma aventura autoritária e golpista não seria tolerada.
 

O mesmo ocorreu com o então comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes. Em depoimento, Baptista Junior confirmou que ele chegou a advertir Bolsonaro de que poderia prendê-lo caso o presidente insistisse em levar adiante o plano golpista. O episódio ajuda a dimensionar a tensão vivida nos bastidores.
 

O relato de Baptista Junior, portanto, ganha relevância especial por vir de alguém que ocupava uma das posições centrais da estrutura militar no período e que acompanhou, por dentro, as pressões e ameaças à ordem democrática.