Cartel dos bancos sufoca o país
É inegável a importância de iniciativas, como o Desenrola, para aliviar temporariamente a situação de famílias endividadas, mas é preciso atacar a raiz do problema. Mudar a política monetária do BC e conter a Selic, hoje em 14,75% ao ano.
Por Ana Beatriz Leal
O alto custo do crédito no Brasil pressiona o orçamento das famílias, contribuindo para o avanço da inadimplência, mesmo após iniciativas de renegociação de dívidas. Em março, 80,2% das famílias estavam endividadas, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio).
Diante do cenário, o governo Lula prepara uma nova versão do programa Desenrola Brasil, com o objetivo de melhorar as condições de renegociação e reduzir a inadimplência. A primeira fase, lançada em julho de 2023, resultou na renegociação de dívidas de 14,8 milhões de pessoas, em um total de 24,2 milhões de operações, que somavam R$ 53,2 bilhões em débitos.
Apesar disto, o crédito caro permaneceu. Dados do Banco Central indicam que, desde então, o estoque de inadimplência das pessoas físicas cresceu R$ 61 bilhões. Na prática, para cada R$ 1,00 renegociado pelo programa, o sistema financeiro registrou R$ 1,15 em novas dívidas inadimplentes.
O custo do crédito também aumentou no período. Quando o Desenrola foi encerrado, em maio de 2024, a taxa média de juros para pessoas físicas era de 52,6% ao ano. O índice subiu para 62% ao ano após o fim do programa, elevando o peso das parcelas e dificultando a regularização das dívidas.
Como resultado, a inadimplência superou em 15% o volume total renegociado em menos de dois anos. Em fevereiro de 2026, o sistema bancário registrou um recorde de R$ 171,4 bilhões em operações com atraso superior a 90 dias.
É inegável a importância de iniciativas, como o Desenrola, para aliviar temporariamente a situação de famílias endividadas, mas é preciso atacar a raiz do problema. Mudar a política monetária do BC e conter a Selic, hoje em 14,75% ao ano.
