Caixa ameaça o plano de saúde
Longe de apresentar uma solução para a sustentabilidade do Saúde Caixa, a proposta transfere a conta para quem constrói o banco diariamente. Enquanto a direção da empresa tenta vender a iniciativa como um “modelo reajustado”.
Por Julia Portela
Os sucessivos ataques aos direitos dos empregados da Caixa ganharam mais um capítulo. Na quinta rodada de negociações específicas da campanha salarial, realizada na quarta-feira, em São Paulo, o banco apresentou uma proposta absurda, que aumenta a contribuição dos titulares, eleva as mensalidades dos dependentes e dobra o limite de comprometimento da renda familiar com o plano.
A medida foi rejeitada por unanimidade pela CEE (Comissão Executiva dos Empregados). “Agora, é fundamental a mobilização ativa de todos, para impedir retrocessos ao direito essencial para os empregados e dependentes”, reforça o diretor do Sindicato e representante dos bancários da Bahia e Sergipe na CEE, Érico de Jesus.
Longe de apresentar uma solução para a sustentabilidade do Saúde Caixa, a proposta transfere a conta para quem constrói o banco diariamente. Enquanto a direção da empresa tenta vender a iniciativa como um “modelo reajustado”, na prática busca reduzir sua responsabilidade no custeio do plano, aproximando a gestão de uma lógica típica dos bancos privados e enfraquecendo um direito histórico dos empregados.
Pelo modelo apresentado, a contribuição dos titulares passaria de 3,5% para 5,5% da remuneração-base. A mensalidade dos dependentes diretos subiria de R$ 480,00 para R$ 870,00, enquanto a dos dependentes indiretos passaria para R$ 930,00. Já os filhos entre 24 e 27 anos teriam a mensalidade elevada de R$ 800,00 para R$ 1.050,00. Além disso, o limite de comprometimento da renda familiar seria ampliado de 7% para 14%, mantendo a cobrança em 13 parcelas anuais.
A rejeição unânime reforça que os empregados não aceitarão pagar a conta de uma gestão que se exime de sua responsabilidade com o custeio do Saúde Caixa. A CEE exige que o banco apresente uma nova proposta que preserve o plano, respeite os direitos conquistados e reafirme o papel social da Caixa como banco público, e não como uma instituição guiada pela lógica do mercado.


