Pressão por constante inovação afeta o trabalhador
Segundo pesquisa feita com trabalhadores de diferentes áreas e regiões do país, o medo de ficar para trás ou de perder espaço em um mercado cada vez mais competitivo molda a rotina profissional.
Por Itana Oliveira
Mesmo em um cenário de recorde de empregos formais, o trabalhador brasileiro segue sob pressão para entregar resultados e provar valor continuamente. Segundo pesquisa da Conquer, escola brasileira que oferece cursos de capacitação profissional, feita com trabalhadores de diferentes áreas e regiões do país, o medo de ficar para trás ou de perder espaço em um mercado cada vez mais competitivo molda cada vez mais a rotina profissional.
A sensação de estabilidade ainda é exceção. Apenas 30,6% afirmam se sentir seguros no emprego, sem necessidade imediata de mudança ou qualificação. A maioria convive com algum nível de alerta: 34,2% dizem estar satisfeitos, mas reconhecem que precisam evoluir para se manter relevantes, enquanto 12,2% vivem em constante incerteza sobre os próximos passos da carreira, 6,6% relatam sobrecarga e 6,4% apontam estagnação profissional.
Entre os principais fatores que alimentam essa pressão estão os avanços da inteligência artificial, citados por 47% como fonte de preocupação, a exigência crescente por novas qualificações (40%) e o aumento da concorrência por vagas, mencionado por 31,8%. O resultado é um ambiente em que, mesmo empregado, o profissional sente que precisa performar mais, aprender mais e se atualizar o tempo todo para não perder espaço.
Como resposta, a maioria investe em capacitação: 61,2% realizaram cursos ou treinamentos em 2025 com foco em crescimento profissional. Ainda assim, o dado reafirma um dilema central do trabalhador, o emprego existe, mas a segurança não é garantida. A permanência no mercado depende cada vez mais de adaptação constante, o que amplia a pressão emocional e profissional no dia a dia.
