Transtornos mentais atingem mais de 2 mil profissões 

Diante do problema estrutural ligado à organização do trabalho no país, em que o empregado é explorado e tem os direitos desrespeitados, tem crescido assustadoramente o número de trabalhadores que precisaram se afastar por transtornos mentais no Brasil. Já são mais de 2 mil profissões atingidas.

Por Ana Beatriz Leal

Diante do problema estrutural ligado à organização do trabalho no país, em que o empregado é explorado e tem os direitos desrespeitados, tem crescido assustadoramente o número de trabalhadores que precisaram se afastar por transtornos mentais no Brasil. Já são mais de 2 mil profissões atingidas. Encabeçam o ranking ocupações como vendedor do comércio varejista, faxineiro e auxiliar de escritório.
 

No topo da lista presente no levantamento, feito pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) em parceria com o MPT (Ministério Público do Trabalho), com base nos dados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), estão justamente as profissões com menor poder de negociação, menos margem para reorganizar a própria rotina e maior dependência do trabalho contínuo para garantir a renda.
 

Os especialistas apontam que as profissões mais afetadas têm pontos convergentes, a exemplo de contratos frágeis, pressão por metas, jornadas longas e maior exposição a riscos, como a violência urbana, caso de motoristas e vigilantes.
 

Os afastamentos também geram impacto financeiro. Apesar de o INSS não informar o valor exato gasto com licenças por saúde mental, os dados indicam que os trabalhadores ficaram afastados, em média, por três meses, recebendo aproximadamente R$ 2.500,00 por benefício. Com base nisto, o custo estimado pode ter chegado a quase R$ 4 bilhões em 2025.
As mulheres são maioria entre as licenças e representam quase 63% do total de afastamentos, com valor médio do benefício de R$ 2.482,91, enquanto os homens recebem, em média, R$ 2.515,58. Em ambos os casos, o valor mais comum é a ansiedade.