Mente sob pressão, coração em risco
A sobrecarga psíquica imposta pelo estresse contínuo altera a regulação do sistema cardiovascular e amplia o risco de eventos graves.
Por Julia Portela
A relação entre transtornos mentais e doenças cardiovasculares deixa de ser alerta abstrato e se consolida como evidência científica concreta. Estudo publicado na revista Circulation: Cardiovascular Imaging confirma que depressão e ansiedade não afetam apenas o estado emocional, mas ativam mecanismos biológicos capazes de comprometer diretamente o coração.
A sobrecarga psíquica imposta pelo estresse contínuo altera a regulação do sistema cardiovascular e amplia o risco de eventos graves. A pesquisa analisou mais de 85 mil participantes do Mass General Brigham Biobank, em pouco mais de três anos. No período, cerca de 3,6% registraram infarto ou AVC.
Os dados apontam que a menor capacidade de adaptação ao estresse e a desregulação cardíaca estão associadas ao adoecimento mental, demonstrando que mente e corpo não podem ser tratados como dimensões separadas.
No sistema financeiro, onde metas, assédio moral e pressão permanente são parte da engrenagem, a realidade ganha contornos mais graves. O modelo ultraliberal que intensifica a exploração produz sofrimento psíquico sistemático e, como demonstram as evidências, amplia o risco de adoecimento físico. O lucro recorde dos bancos convive com trabalhadores exaustos, medicados e afastados.
