O lucro excludente dos bancos 

Diametralmente oposta à trajetória de crescimento de geração de empregos do Brasil, a política adotada pelo sistema financeiro é de eliminação acelerada de vagas e agências. Uma irresponsabilidade social escancarada. Ano passado, os bancos cortaram 8.910 postos de trabalho em todo o país, apesar da lucratividade bilionária.  

Por Ana Beatriz Leal

Diametralmente oposta à trajetória de crescimento de geração de empregos do Brasil, a política adotada pelo sistema financeiro é de eliminação acelerada de vagas e agências. Uma irresponsabilidade social escancarada. Ano passado, os bancos cortaram 8.910 postos de trabalho em todo o país, apesar da lucratividade bilionária.  
 

O enxugamento da categoria bancária tem acontecido ano após ano. E cada vez mais. Desde 2020, já são 26 mil postos de trabalho fechados, conforme dados de movimentação do emprego do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
 

Além da agressividade quando se trata de tirar direitos, emprego e a sanidade mental do trabalhador, os bancos também discriminam. As mulheres são as mais atingidas pelas demissões. Dos cerca de 9 mil postos de trabalho fechados, quase 6 mil eram ocupados por bancárias. Aproximadamente dois terços dos desligamentos. 
 

Além de demitir bancários, as empresas fecham agências. De acordo com o Banco Central, em 2025, cerca de 1,6 mil agências encerraram as atividades no país, o equivalente a 31 unidades encerradas por semana. 
 

A superlotação das unidades, filas gigantescas e escassez de mão de obra se tornaram comum. Os bancários remanescentes ficam sobrecarregados e os clientes empurrados para os canais digitais, que acabam sendo excludentes, por dificultarem o acesso de idosos, pessoas com deficiência e quem não tem acesso à internet.