Bancos de crédito consignado lideram abusos
As principais queixas partem da população mais vulnerável: contratações sem autorização, cobranças indevidas e contratos obscuros, marcados pela falta de transparência.
Por Julia Portela
Pesquisa da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto expõe um cenário alarmante para a população brasileira: bancos especializados em crédito consignado concentram o maior número de processos do país, proporcionalmente ao tamanho de suas carteiras de clientes.
Os dados, divulgados em reportagem do portal UOL, foram obtidos a partir do cruzamento de informações do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e do Banco Central, revelando a explosão de ações judiciais contra essas instituições.
As principais queixas partem da população mais vulnerável: contratações sem autorização, cobranças indevidas e contratos obscuros, marcados pela falta de transparência. Trata-se de um modelo que se sustenta na desinformação e na exploração de aposentados, pensionistas e trabalhadores que, muitas vezes, só percebem o prejuízo quando o desconto já compromete sua renda mensal.
A expansão acelerada do crédito consignado aprofunda o cenário. Criada em 2003, a modalidade passou a dominar o crédito pessoal no país, concentrando cerca de 65% do total e movimentando R$ 742 bilhões. Fora desta conta, ficam operações com cartões consignados e cartões benefício, justamente onde se concentram grande parte das disputas judiciais, evidenciando um mercado que cresce à custa de práticas abusivas.
Diante da enxurrada de ações, parte dos grandes bancos recua, enquanto órgãos como o Tribunal de Contas da União e o Superior Tribunal de Justiça analisam irregularidades e buscam uniformizar decisões. O volume de denúncias reforça a urgência de regulação mais rígida, fiscalização efetiva e responsabilização das instituições financeiras, como forma de conter abusos e garantir proteção real à população explorada por tal modelo.
