47 milhões têm dinheiro esquecido

Do total, R$ 8,15 bilhões pertencem a 47 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 2,4 bilhões são de mais de 5 milhões de empresas. Até agora, apenas R$ 14,14 bilhões foram devolvidos, o que escancara a demora e a burocracia impostas pelas instituições financeiras.

Por Julia Portela

Mesmo após sucessivas divulgações, o Banco Central do Brasil confirmou que R$ 10,55 bilhões seguem esquecidos nas instituições financeiras do país, evidenciando a negligência do sistema bancário com recursos que pertencem à população. O montante, contabilizado até fevereiro, inclui valores de contas inativas, consórcios e outras operações que não foram devidamente devolvidas aos seus titulares.

 

Do total, R$ 8,15 bilhões pertencem a 47 milhões de pessoas físicas, enquanto R$ 2,4 bilhões são de mais de 5 milhões de empresas. Até agora, apenas R$ 14,14 bilhões foram devolvidos, o que escancara a demora e a burocracia impostas pelas instituições financeiras, que mantêm sob sua guarda recursos que deveriam estar à disposição imediata dos trabalhadores e pequenos negócios.

 

Apesar de o prazo inicialmente estipulado ter se encerrado em outubro de 2024, o Ministério da Fazenda informou que não há limite para a retirada dos valores. A consulta deve ser feita exclusivamente pelo sistema oficial do Banco Central, e a devolução, na maioria dos casos, ocorre via chave PIX mecanismo que transfere ao próprio cidadão a responsabilidade de garantir o acesso ao seu dinheiro, em vez de impor às instituições o dever de devolução automática.

 

A situação reforça a necessidade de maior regulação e fiscalização sobre o sistema financeiro, que lucra enquanto bilhões permanecem parados sem retorno aos seus verdadeiros donos. Trabalhadores, herdeiros e representantes legais devem ficar atentos aos seus direitos e não fornecer dados fora dos canais oficiais, diante do risco constante de golpes envolvendo a liberação desses valores.