Itaú fecha agências na Bahia e amplia prejuízos
O fechamento de quatro agências do Itaú na Bahia, ao longo deste mês de abril, acende um novo alerta sobre o desmonte do atendimento bancário presencial no Estado.
Por Caio Ribeiro
O fechamento de quatro agências do Itaú na Bahia, ao longo deste mês de abril, acende um novo alerta sobre o desmonte do atendimento bancário presencial no Estado. As unidades de Valença e Senhor do Bonfim foram fechadas no dia 15, enquanto Praia do Forte e Catu terão as atividades encerradas em 22 de abril. Juntas, as agências atendiam mais de 29 mil clientes, incluindo milhares de beneficiários do INSS, que agora terão que se deslocar para outras cidades em busca de atendimento.
Em Valença, cerca de 8 mil clientes, sendo 1,2 mil aposentados e pensionistas, foram direcionados para Santo Antônio de Jesus, distante 78 quilômetros. Já em Senhor do Bonfim, mais de 8,2 mil clientes, incluindo 488 beneficiários do INSS e 1.220 contas salário, terão como referência a agência de Juazeiro. Em Praia do Forte, 4,7 mil clientes serão transferidos para Lauro de Freitas. O caso mais crítico é o de Catu, com 9 mil clientes e 300 beneficiários do INSS, que passarão a depender da agência de Alagoinhas, já sobrecarregada após absorver outra unidade fechada anteriormente.
Além dos impactos para a população, o fechamento também atinge diretamente os trabalhadores bancários, com redução de postos e aumento da sobrecarga nas unidades remanescentes. Ao todo, as quatro agências somam pelo menos 23 funcionários, que enfrentam incertezas quanto à realocação e condições de trabalho. A concentração do atendimento em menos unidades tende a piorar filas, tempo de espera e qualidade dos serviços prestados.
Segundo a diretora da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Luciana Doria, a decisão do banco ignora os sucessivos alertas feitos pela categoria. “Apesar das nossas inúmeras tentativas de negociação, manifestações e audiências públicas, o Itaú insiste no fechamento das agências, mesmo diante dos impactos negativos já apresentados”, afirma. O Sindicato dos Bancários da Bahia denunciou a situação ao Procon e deve acionar o Ministério Público, destacando a superlotação das agências, a queda na qualidade do atendimento e os prejuízos à população, especialmente idosos e pessoas com deficiência. Para a entidade, é inadmissível que um banco com lucros bilionários siga reduzindo sua presença física e desconsiderando sua responsabilidade social.
