Juros altos corroem a renda

Estudo do banco Daycoval, divulgado no início de abril, mostra que 40% desta nova renda é fisgada pelo pagamento de dívidas. Não dá nem tempo de chegar ao caixa do supermercado, por exemplo. 

Por Ana Beatriz Leal

Apesar de os esforços da democracia social terem resultado na elevação da renda do brasileiro, nem sempre este aumento se traduz em mais consumo. Isto porque os juros altos corroem a renda média do trabalhador, que em fevereiro chegou a 3.679,00, valor 14% acima da inflação em relação a dezembro de 2022, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 
 

Estudo do banco Daycoval, divulgado no início de abril, mostra que 40% desta nova renda é fisgada pelo pagamento de dívidas. Não dá nem tempo de chegar ao caixa do supermercado, por exemplo. 
 

Usada para servir ao rentismo, a famigerada Selic, hoje em elevados 14,75% ao ano, norteia os juros dos bancos, que consomem 10,5% da renda disponível anual. É um recorde histórico desde 2005, de acordo com o Banco Central. Em dezembro de 2022, o índice era de 9,3%.
 

Com juros tão altos, fica difícil para o brasileiro conseguir pagar as dívidas. Atualmente, 49,9% da população adulta estava com restrição de crédito, o popular nome sujo na praça, de acordo com o Serasa Experian. O dinheiro, que deveria estar circulando, fica preso nos cofres do sistema financeiro.