Capital chantageia para fugir da responsabilidade
Agora, empresários querem transformar a redução da jornada em moeda de troca, propondo cortes em direitos históricos para aceitar o fim da escala 6x1.
Por Julia Portela
A escalada por melhores direitos trabalhistas sempre encontra resistência dos mesmos setores que lucram com a exploração da população. Agora, empresários querem transformar a redução da jornada em moeda de troca, propondo cortes em direitos históricos para aceitar o fim da escala 6x1.
A proposta apresentada na PEC 221/2019 prevê reduzir gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas, mas junto com isso surge uma ameaça grave: a isenção temporária do pagamento do INSS Patronal e a redução da contribuição ao FGTS de 8% para 4%. Na prática, significa menos dinheiro para aposentadorias atuais e futuras, além de enfraquecer direitos conquistados com muita mobilização dos trabalhadores.
O próprio ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, demonstrou preocupação com a proposta, alertando para os impactos nas contas públicas e nos investimentos essenciais para a população.
Enquanto empregados enfrentam jornadas exaustivas, baixos salários e insegurança, empresários e setores da extrema direita no Congresso tentam empurrar a conta mais uma vez para o povo. Reduzir jornada sem retirar direitos é questão de dignidade, não de barganha.


