Menos agência, mais exclusão

O possível fechamento do posto de atendimento do Bradesco em Macururé, na Bahia, debatido em audiência pública, é mais um capítulo de um processo que se repete em todo o Brasil. A retirada gradual da presença física dos bancos, especialmente em cidades menores e mais afastadas dos grandes centros urbanos.

Por Rose Lima

O possível fechamento do posto de atendimento do Bradesco em Macururé, na Bahia, debatido em audiência pública, é mais um capítulo de um processo que se repete em todo o Brasil. A retirada gradual da presença física dos bancos, especialmente em cidades menores e mais afastadas dos grandes centros urbanos.

 

Durante a audiência, vereadores, os diretores do Sindicato da Bahia, Eric Oliveira e Eldonsuel da Silva, lideranças comunitárias e moradores defenderam a permanência do atendimento no município. Para muitos, o fechamento significa longos deslocamentos para realizar operações, receber benefícios, acessar crédito ou resolver pendências.

 

A preocupação da população de Macururé tem fundamento. O município pode engrossar a lista do desmonte promovido pelo Bradesco na Bahia. O banco é líder em unidades encerradas no Estado.

 

Entre outubro de 2023 e abril de 2026, foram fechadas 55 agências e abertas apenas seis novas unidades, todas voltadas para segmentos empresariais ou clientes de alta renda. O saldo é negativo em 49 agências.

 

A redução da rede física prioriza a digitalização dos serviços e a redução dos postos de trabalho. Os números são alarmantes. Na Bahia, 40 municípios perderam a única agência do Bradesco. Juntas, as cidades têm 811.219 habitantes impactados diretamente.

 

Os dados do Dieese revelam ainda que, dos 417 municípios baianos, apenas 203 possuem atualmente pelo menos uma agência bancária. Outros 214 permanecem desassistidos. Em muitos casos, os moradores precisam percorrer dezenas de quilômetros para realizar operações que poderiam ser resolvidas na própria cidade.