Cotas não asseguram igualdade na disputa eleitoral
Há 10 anos, as mulheres passaram a receber percentual maior de recursos destinados às campanhas eleitorais. Mesmo assim, as candidatas negras continuaram recebendo menos.
Por Juliana Ambrozi
Apesar dos avanços, um estudo da FGV Direito SP mostra que candidatos negros, especialmente mulheres, ainda enfrentam desvantagens na distribuição dos recursos de campanha. Homens brancos ainda recebem a maior parte dos recursos.
Há 10 anos, as mulheres passaram a receber percentual maior de recursos destinados às campanhas eleitorais, registrando, desde então, o maior avanço da série histórica, um aumento de 11% de acesso em 8 anos (2014-2022). Mesmo assim, as candidatas negras continuaram recebendo menos.
Os homens brancos receberam cerca de 47% do financiamento eleitoral em 2022, percentual superior à sua participação entre as candidaturas.
O estudo também aponta diferenças no momento em que os recursos foram liberados. Mulheres negras receberam apenas 5,3% dos recursos distribuídos na pré-campanha, enquanto os homens foram beneficiados desde os momentos iniciais da candidatura.
Os pesquisadores concluem que as políticas de cotas ampliaram o acesso ao financiamento eleitoral, mas não alteraram significativamente a estrutura desigual que rege a disputa política no Brasil. Mesmo com os avanços, mulheres e pessoas negras ainda enfrentam obstáculos que impossibilitam uma participação justa e igualitária na corrida eleitoral.


