Sindicato e Setre debatem sobre fechamento de agência do Bradesco Cajazeiras

A partir da data, os correntistas serão obrigados a buscar atendimento na unidade de Porto Seco Pirajá, ampliando deslocamentos, filas e dificuldades de acesso, especialmente para idosos, pessoas com deficiência, comerciantes e moradores que dependem do atendimento presencial.

Por Juliana Ambrozi

Créditos da foto: Rogério Almeida

Créditos da foto: Rogério Almeida

O Bradesco ignora as necessidades da população e mais uma vez vai deixar milhares de cidadãos sem acesso ao serviço bancário. Desta vez, o alvo é Cajazeiras, em Salvador, uma das regiões mais populosas da capital, com cerca de 200 mil habitantes. A agência do bairro, que atende aproximadamente 11 mil clientes, tem fechamento previsto para o dia 27 de julho. 

 

A partir da data, os correntistas serão obrigados a buscar atendimento na unidade de Porto Seco Pirajá, ampliando deslocamentos, filas e dificuldades de acesso, especialmente para idosos, pessoas com deficiência, comerciantes e moradores que dependem do atendimento presencial. 

 

O caso foi discutido em reunião, nesta sexta-feira (26/06), na Setre (Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte), com a participação de diretores do Sindicato dos Bancários da Bahia, lideranças comunitárias de Cajazeiras e o secretário Augusto Vasconcelos. O encontro teve como objetivo construir estratégias para tentar reverter a decisão do banco e reduzir os impactos sociais provocados pelo fechamento.

 

Na ocasião, Augusto Vasconcelos alertou para os prejuízos da desativação da agência à população e à economia local. Foi debatido ainda um plano de mobilização para evitar o encerramento das atividades da agência. As ações incluem o envio de um ofício ao Bradesco e uma manifestação no dia 9 de julho. Os participantes também relembraram o caso Macururé, no qual o fechamento de uma agência bancária foi evitado graças à mobilização conjunta de autoridades e do Sindicato.

 

Até o momento, o Bradesco não apresentou justificativas públicas para o encerramento das atividades da unidade nem divulgou estudos sobre os impactos da medida para a população. A decisão foi comunicada sem diálogo com a comunidade e preocupa ainda mais por atingir a única agência do banco em um dos maiores bairros periféricos da América Latina.

 

A preocupação também se estende aos trabalhadores. Embora o banco tenha anunciado a transferência de funcionários para outras agências, a mudança gera incertezas e também impacta os seguranças, equipes de limpeza e outros funcionários da agência.

 

Além disso, não há informações disponíveis sobre a capacidade da agência Porto Seco Pirajá. Moradores também reclamam da falta de conexões diretas de transporte público entre os bairros, da situação de segurança na região e do impacto negativo sobre aposentados e pessoas que dependem de serviços bancários presenciais. 

 

O fechamento da agência de Cajazeiras não é um caso isolado. É resultado do avanço da digitalização dos bancos privados, enquanto milhares de pessoas permanecem dependentes do atendimento presencial. A redução da rede física amplia a exclusão bancária, sobrecarrega as unidades remanescentes e impõe maiores custos e dificuldades aos clientes, especialmente nas periferias e no interior.