Dificuldades com o digital reforça importância das agências 

O índice de erros de um sistema de reconhecimento fácil, uma das etapas do processo do atendimento bancário pelos canais digitais, sobe 2% entre pessoas na faixa dos 20 anos para até 5% entre quem tem 70 anos ou mais. 

Por Ana Beatriz Leal

O avanço da tecnologia, para uns, veio para facilitar, para outros, ampliou a exclusão. O Brasil é um país plural, diverso, com pessoas de todas as idades, classes sociais e níveis de educação, inclusive digital. As dificuldades no acesso aos canais virtuais dos bancos evidenciam a necessidade de agências físicas. Nem tudo mundo está familiarizado ou pode ter acesso à digitalização. 
 

De acordo com o Nist, órgão estadunidense que no Brasil equivale ao Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), o índice de erros de um sistema de reconhecimento fácil, uma das etapas do processo do atendimento bancário pelos canais digitais, sobe 2% entre pessoas na faixa dos 20 anos para até 5% entre quem tem 70 anos ou mais. 
 

O processo vai além. Envolve download de aplicativo, criar senha, validar a conta por e-mail ou SMS, autorizar acesso à câmera, fotografar documento, entender e executar as instruções. Isto porque não foram mencionados aqui os golpes virtuais. 
 

Não dá para contar só com o virtual. O cliente quer ser atendimento de forma humanizada, olho no olho. Para isto, os bancos precisam parar de demitir e fechar pontos de atendimento. Entre 2015 e maio de 2026, as empresas eliminaram 93,3 mil postos de trabalho. Em igual período, reduziram em 42% a rede de agências. Fecharam as portas de 9,5 mil unidades, 30 por semana. 
 

Durante a campanha salarial deste ano, na segunda rodada de negociação, o Comando Nacional dos Bancários exigiu que os bancos suspendessem os desligamentos e o fechamento de agências, durante o processo negocial. Pedido negado, o que comprova a irresponsabilidade social das empresas, incisivamente denunciada pelo movimento sindical, há tanto tempo.