Bets: perdição para as famílias

Ano passado, as famílias brasileiras registraram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões com as chamadas bets.

Por Caio Ribeiro

Mais uma prova da nocividade dos jogos de apostas online. Ano passado, as famílias brasileiras registraram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões com as chamadas bets, segundo levantamento divulgado pelo Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal). O valor representa a diferença entre o total apostado pelos usuários e o montante devolvido pelas plataformas na forma de prêmios.

 

No mesmo período, as empresas do setor movimentaram cerca de R$ 351 bilhões em transferências via Pix, consolidando o primeiro ano completo de funcionamento do mercado sob a regulamentação federal.

 

De acordo com o estudo, o crescimento das apostas coincidiu com uma mudança estrutural nas transferências financeiras realizadas por pessoas físicas para empresas do segmento de artes, cultura, esporte e recreação. O comportamento evidencia a capacidade das plataformas de absorver uma parcela significativa da renda das famílias, uma vez que apenas parte dos recursos apostados retorna aos jogadores na forma de premiações. As perdas líquidas equivalem a aproximadamente 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das famílias brasileiras.

 

O boletim também aponta que a proibição do uso de recursos do Bolsa Família em apostas provocou uma desaceleração no crescimento das transações, indicando que famílias de menor renda tinham participação relevante nesse mercado. O resultado reforça o cenário de vulnerabilidade financeira de parte da população, especialmente em um contexto de elevado endividamento e comprometimento da renda, além de demonstrar o impacto que medidas regulatórias podem ter sobre o volume de apostas.

 

Os dados apresentados pelo Comsefaz superam estimativas divulgadas anteriormente pelo Ministério da Fazenda, que apontavam uma receita de R$ 37 bilhões para as empresas de apostas regularizadas em 2025. O estudo foi elaborado em parceria com o Cicef (Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento) e utilizou informações do Banco Central e das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica para dimensionar o impacto das bets sobre o orçamento das famílias brasileiras.