Bancários paralisam agência do Bradesco em Salvador
Durante a manifestação, os dirigentes cobraram melhores condições no plano de saúde, especialmente diante do aumento dos casos de adoecimento ocupacional, além de respeito aos trabalhadores adoecidos e reintegração de funcionários demitidos em situações relacionadas à saúde.
Por Caio Ribeiro
Nesta terça-feira (11), bancários realizaram uma paralisação na agência do Bradesco do Capemi, no Caminho das Árvores, em Salvador, como parte do Dia Nacional de Luta do Bradesco. O ato reuniu trabalhadores, dirigentes e diretores sindicais, além do presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez, em protesto contra demissões, fechamento de agências, mudanças consideradas prejudiciais na saúde e a falta de avanços na campanha salarial.
Durante a manifestação, os dirigentes cobraram melhores condições no plano de saúde, especialmente diante do aumento dos casos de adoecimento ocupacional, além de respeito aos trabalhadores adoecidos e reintegração de funcionários demitidos em situações relacionadas à saúde.
O fechamento de agências também foi criticado. Segundo os representantes sindicais, a reestruturação promovida pelos bancos, embora justificada pela modernização tecnológica, tem reduzido postos de trabalho e dificultado o acesso da população aos serviços bancários. O problema é considerado mais grave em municípios com apenas uma agência, onde idosos, pessoas com dificuldade de locomoção e moradores de áreas rurais podem precisar se deslocar para outras cidades.
Os dirigentes lembraram que a atuação sindical já impediu o fechamento de agências do Bradesco em municípios do interior da Bahia e garantiu a reintegração de trabalhadores demitidos. As conquistas mostram a importância da mobilização da categoria e da articulação com o poder público e as comunidades.
A paralisação ocorre durante a campanha salarial dos bancários, cujas reivindicações já foram apresentadas e discutidas com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos). As demandas envolvem questões econômicas, sociais, igualdade de oportunidades e saúde. Os trabalhadores criticam a possibilidade de retirada de direitos da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) e cobram reajuste salarial, melhores condições de trabalho e avanços nas principais cláusulas da negociação.
Também destacaram os impactos das metas abusivas e das condições de trabalho na saúde dos bancários. Embora a categoria represente menos de 1% dos trabalhadores formais do país, concentra uma parcela expressiva dos casos de adoecimento mental reconhecidos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Para os sindicalistas, os dados reforçam a necessidade de mudanças nas relações de trabalho e de maior atenção dos bancos à saúde dos empregados.
A digitalização dos serviços foi outro ponto abordado. Os representantes afirmaram não ser contrários à tecnologia, mas defenderam que a modernização não seja usada para justificar demissões e a retirada do atendimento presencial. A preocupação inclui clientes com dificuldade de acesso ou adaptação aos serviços digitais, especialmente idosos e moradores de regiões com baixa cobertura de internet.
A mobilização em Salvador faz parte de uma agenda nacional de pressão sobre o Bradesco e ocorre em meio ao endurecimento das negociações. Novas ações poderão ser realizadas caso não haja avanços e defenderam a organização dos trabalhadores, além da aproximação com a sociedade para mostrar os impactos do fechamento de agências e da redução do atendimento presencial.
A categoria permanecerá mobilizada e que a paralisação representa um recado à direção do Bradesco diante das demandas e impasses nas negociações. Caso não haja avanços, os trabalhadores poderão discutir uma possível greve.


