Bets: aposta em alta contra mulheres

O dado escancara a dimensão de um mercado que transforma dificuldades financeiras e expectativas de renda em oportunidade de lucro para as plataformas.

Por Julia Portela

A promessa de dinheiro fácil das bets está alcançando cada vez mais mulheres e cobrando uma conta que não aparece nas propagandas das plataformas. Quatro em cada dez brasileiras (42%) já apostaram ou ainda apostam online, segundo a pesquisa “Mulheres e Bets: O Custo das Apostas Online para Brasileiras e suas Famílias”, conduzida pelo Estúdio Clarice, Estratégia Latina e Instituto Ideia e divulgada nesta segunda-feira (17/08). O dado escancara a dimensão de um mercado que transforma dificuldades financeiras e expectativas de renda em oportunidade de lucro para as plataformas.

 

O cenário é ainda mais preocupante entre mulheres com filhos, que apostam cerca de 1,6 vez mais do que aquelas sem filhos. Do total de apostadoras, 72% têm filhos, enquanto 12% afirmam ser afetadas pelo comportamento de parentes ou amigos que apostam. Em uma sociedade que já impõe às mulheres jornadas marcadas pela sobrecarga, exaustão e dificuldade de acesso a uma renda digna, a promessa de ganho rápido pode se transformar em mais endividamento e aperto no orçamento familiar.

 

O recorte racial reforça que os impactos não são distribuídos de forma igual: 45% das mulheres pardas afirmaram que apostam ou já apostaram, contra 39% das brancas e 37% das pretas. As bets não vendem apenas entretenimento: vendem a ilusão de saída individual para problemas que têm raízes econômicas e sociais. Enquanto plataformas acumulam dinheiro com as apostas, famílias ficam expostas à perda de renda, ao endividamento e ao agravamento das desigualdades.