Criança deveria ser só ser criança
Agosto é o mês da primeira infância. A fase que começa ainda na gestação é decisiva na formação do indivíduo. Os primeiros anos de vida são decisivos, mas não basta responsabilizar mães e pais. É fundamental garantir creches, alimentação, saúde, moradia e proteção social. Afinal, toda criança importa.
Por Rose Lima
Uma criança pequena deveria estar preocupada com coisas pequenas. Descobrir o mundo, brincar, aprender palavras novas, experimentar novos sabores, ter colo e aconchego quando sente medo. Mas, no Brasil, esse direito não vale para todas. Milhares precisam lidar com o peso do racismo desde cedo.
E o preconceito chega justamente na primeira infância, quando a criança está formando a identidade, a autoestima e a maneira como enxerga o mundo. Um levantamento do Panorama da Primeira Infância, realizado pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, em parceira com o Datafolha, mostra que 16% dos responsáveis afirmam que crianças de 0 a 6 anos já sofreram discriminação.
Mais da metade (54%) dos casos aconteceu em creches e pré-escolas. Quer dizer, lugares onde a criança deveria encontrar acolhimento, segurança e espaço para ser quem é, mas que, na prática, reproduzem o preconceito.
Os efeitos do racismo nessa fase podem ser profundos: estresse tóxico, impactos na aprendizagem e no desenvolvimento, dificuldades na regulação emocional e marcas que podem acompanhar a criança por toda a vida.
Agosto é o mês da primeira infância. A fase que começa ainda na gestação é decisiva na formação do indivíduo. Os primeiros anos de vida são decisivos, mas não basta responsabilizar mães e pais. É fundamental garantir creches, alimentação, saúde, moradia e proteção social. Afinal, toda criança importa.


