Transtornos mentais triplicam na Bahia

O número de benefícios previdenciários associados à saúde mental passou de 5.020, em 2014, para 15.189, em 2024, alta de aproximadamente 203%.

Por Ana Beatriz Leal

No mês do Setembro Amarelo, um dado que merece atenção. Entre metas, cobranças, hiperconectividade e pressão por produtividade, o adoecimento mental revela um dos custos humanos de uma sociedade que exige do trabalhador desempenho permanente. Na Bahia, os afastamentos relacionados a transtornos mentais mais do que triplicaram em uma década. 
 

O número de benefícios previdenciários associados à saúde mental passou de 5.020, em 2014, para 15.189, em 2024, alta de aproximadamente 203%. Os dados dão do SmartLab, plataforma desenvolvida pelo MPT (Ministério Público do Trabalho) em parceria com a OIT (Organização Internacional do Trabalho), com base em informações previdenciárias. 
 

O sistema financeiro é um rolo compressor que esmaga a saúde mental. Entre 2014 e 2024, os bancos múltiplos com carteira comercial concentraram 21,8% dos afastamentos. Em seguida aparecem a administração pública, com 14,1%, e as atividades de atendimento hospitalar, com 10,1%.
 

Nos afastamentos acidentários, em que há reconhecimento da relação com o trabalho, a ansiedade representa 33,2% dos registros. Reações ao estresse grave e transtornos de adaptação correspondem a 27,9%, enquanto episódios depressivos, 20,1%.
 

A tendência também é nacional. Em 2024, o Brasil registrou 481.476 benefícios relacionados a transtornos mentais e comportamentais, mais do que o dobro dos 235.935 concedidos em 2019.
 

O problema ainda pode ser maior. A estatística previdenciária considera apenas trabalhadores que acessaram o sistema e tiveram benefício concedido. Importante frisar que a discussão ganhou força este ano com a atualização da NR-1, que passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Mas, só a teoria não resolve. As empresas precisam assumir as responsabilidades e evitar o adoecimento do trabalhador, que não é uma máquina.