E o etanol?
Os biocombustíveis renováveis, como o etanol, produzido pela fermentação de açúcares da cana, do milho e do trigo, mina de ouro do agronegócio, reaparecem agora com força nesta nova conjuntura da política bélica norte-americana/israelense na sua ofensiva no Oriente Médio, aumentando a pressão internacional. Diante da possibilidade concreta do aumento dos combustíveis fósseis, esta alternativa de competitividade com a gasolina, o etanol, hoje nas mãos das transnacionais, não fosse a sede de lucro destas e dos usineiros, poderia matizar a grave crise mundial momentaneamente, com preços decentes.
“Gramínea Perene, pertencente ao gênero Saccharum, própria de climas tropicais e subtropicais. As variedades hoje cultivadas são quase todas híbridas, das espécies S.officinarum, S. spontaneum e S.robustum, entre outras” (como consta na Nova Enciclopédia Barsa). A cana de açúcar era do conhecimento das mais remotas civilizações, mas sobre a sua origem há divergências. Alguns a citam como originária das planícies do rio Ganges, na Índia, outros da Nova Guiné e Ilhas Fiji, no Pacífico Sul. Já na China, a cana existiria desde antes da era cristã.
“Os indianos como os chineses sabiam extrair da planta o xarope doce que era considerado uma fina especiaria e utilizado principalmente como medicamento. Mas foi Portugal e Espanha, por meio das suas navegações, que espalharam a cana e a forma de produzir o açúcar” nos informa Geovani José Leão, no livro “CPT (Comissão Pastoral da Terra) 40 anos” (2016).
Aqui, a plantação de cana teve seu começo na Capitania de São Vicente em 1522, vinda da Ilha da Madeira, através de Martim Afonso de Souza. Com isto a cana se alastrou por todo o litoral do Brasil. Num contínuo vai e vem histórico através dos séculos o nosso país chegou a ter a liderança no mercado internacional. Com diversos níveis de interferência, o Estado sempre cumpriu papel fundamental na produção da cana. Desde as capitanias hereditárias até 1930 (governo Vargas), tiveram um caráter informal. A crise de 1929 promove a intervenção como política do Estado na agroindústria canavieira, criando em 1933 o Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). Este protagonismo determinante do Estado chega até 1990, com a extinção do IAA pelo governo Collor, quando o setor sofre desregulação.
O Nordeste liderou a produção até 1940, quando o Centro-Sul começou a ocupar a liderança. Em 1975 foi criado o Programa Nacional do Álcool (PROÁLCOOL) para estimular a produção de álcool para os automóveis e para as indústrias e isto aconteceu devido ao grande aumento do preço do petróleo nos anos da crise capitalista de 1973 e 1974 e a crise enfrentada pelo setor para colocar o açúcar no mercado externo.
Os biocombustíveis renováveis, como o etanol, produzido pela fermentação de açúcares da cana, do milho e do trigo, mina de ouro do agronegócio, reaparecem agora com força nesta nova conjuntura da política bélica norte-americana/israelense na sua ofensiva no Oriente Médio, aumentando a pressão internacional. Diante da possibilidade concreta do aumento dos combustíveis fósseis, esta alternativa de competitividade com a gasolina, o etanol, hoje nas mãos das transnacionais, não fosse a sede de lucro destas e dos usineiros, poderia matizar a grave crise mundial momentaneamente, com preços decentes.
* Carlos Pronzato é cineasta, diretor teatral, poeta e escritor. Sócio do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB). [email protected]
