Saúde Caixa: categoria garante acordo e barra reajustes abusivos

A ampla participação nas assembleias e a pressão organizada impediram mais um ataque à renda dos empregados e empregadas e reafirmaram que a saúde não pode ser tratada como variável de ajuste fiscal.

Por Julia Portela

O aditivo ao ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) do Saúde Caixa foi assinado nesta quarta-feira (31/01) e consolida uma importante conquista dos trabalhadores e trabalhadoras da Caixa. O acordo firmado entre o banco, a Comissão Executiva dos Empregados e o Comando Nacional dos Bancários garante a manutenção do plano de saúde e preserva direitos históricos da categoria, resultado direto da mobilização sindical e da força coletiva nas negociações.

 

 

A assinatura do aditivo simboliza uma vitória política da categoria ao barrar a proposta inicial da Caixa, que previa aumentos abusivos nas mensalidades, podendo chegar a 71%. A ampla participação nas assembleias e a pressão organizada impediram mais um ataque à renda dos empregados e empregadas e reafirmaram que a saúde não pode ser tratada como variável de ajuste fiscal.

 

 

Entre as principais conquistas está o reajuste zero nas mensalidades, mantendo a participação dos usuários em 3,5% do salário do titular e até R$ 480 por dependente. O acordo também preserva o modelo solidário de custeio, com coparticipação, teto anual de R$ 3.600 por grupo familiar, além do pacto intergeracional e do mutualismo, fundamentais para a sustentabilidade coletiva do Saúde Caixa. A ampliação da cobertura, com a inclusão de filhos até 27 anos como dependentes, reforça a proteção às famílias da categoria.

 

 

O aditivo também fortalece financeiramente o plano ao destinar ao Saúde Caixa as contribuições patronais e dos empregados incidentes sobre valores pagos em ações judiciais de natureza salarial, sem impor novos ônus aos usuários. Além disso, ficou estabelecido o compromisso de debater medidas estruturantes ao longo de 2026, com a retomada de uma mesa permanente de negociação já a partir de fevereiro.

 

 

Os dados financeiros apresentados pela própria Caixa reforçam a importância do acordo, com projeção de déficit superior a R$ 560 milhões em 2025. A assinatura do novo ACT, que passa a valer em 1º de janeiro, confirma que a organização sindical é capaz de garantir avanços concretos, proteger direitos e assegurar que a saúde dos trabalhadores permaneça como direito coletivo, e não como mercadoria.