Saúde mental é luta de classe

Em 2026, a campanha adota o tema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental.”, confrontando a cultura da hiperprodutividade, das metas inalcançáveis e da vigilância permanente no ambiente de trabalho.

Por Julia Portela

A saúde mental da classe trabalhadora não pode ser tratada como pauta individual ou sazonal, mas como consequência direta de um modelo econômico que impõe adoecimento como regra. O Janeiro Branco surge como instrumento político e social de denúncia desse sistema, que intensifica a exploração, normaliza o sofrimento psíquico e transfere ao indivíduo a responsabilidade por danos causados pela lógica do lucro acima da vida.

 

 

Em 2026, a campanha adota o tema “Paz. Equilíbrio. Saúde Mental.”, confrontando a cultura da hiperprodutividade, das metas inalcançáveis e da vigilância permanente no ambiente de trabalho. A proposta escancara a contradição de um sistema que exige desempenho máximo enquanto ignora os impactos emocionais, psicológicos e sociais dessa engrenagem sobre trabalhadores.

 

 

Criado em 2014, o Janeiro Branco nasceu para romper o silenciamento histórico sobre o sofrimento mental. O crescimento da campanha, hoje reconhecida em legislações municipais, estaduais e federais, evidencia que o adoecimento psíquico deixou de ser exceção e passou a ser um problema estrutural, alimentado pela precarização do trabalho e pela retirada de direitos.

 

 

O fortalecimento do Janeiro Branco reafirma que saúde mental é direito coletivo e responsabilidade social. Desacelerar, cuidar e impor limites não são escolhas individuais, mas atos de enfrentamento a um modelo ultraliberal que lucra com o esgotamento e abandona quem sustenta a economia com o próprio corpo e mente.