Desigualdade de gênero ainda impacta a carreira das mulheres

Segundo o IBGE, mais de 11 milhões de mulheres estão fora da força de trabalho no Brasil por responsabilidades domésticas e familiares, o que evidencia que esse não é um fenômeno individual, mas estrutural.

Por Itana Oliveira

A luta feminista tem raízes desde o século XIX. No entanto, mesmo diante de toda a modernização da sociedade, ter uma vida profissional consolidada ainda é um desafio para as mulheres. Estudo da Be Back Now analisou a razão pela qual mulheres e homens interrompem suas trajetórias profissionais e concluiu que a disparidade de gênero no Brasil ainda é um fator profundamente estrutural.


Entre as mulheres entrevistadas, 28,8% apontaram a maternidade como principal motivo da pausa, enquanto 32,8% indicaram desemprego e tentativas de empreender como as principais razões. Se considerado que a parentalidade é uma responsabilidade compartilhada pelo casal, percebe-se que a sobrecarga ainda recai majoritariamente sobre as mulheres.


O preconceito de gênero atinge meninas e mulheres desde a infância. Para muitas, construir família significa renunciar, ainda que temporariamente, à vida profissional, especialmente pela dificuldade no retorno ao trabalho. A questão não se restringe a consequências imediatas: rendimentos futuros e contribuições previdenciárias são diretamente afetados pela instabilidade na trajetória profissional feminina. Além disto, o processo reduz as chances de acesso a cargos de liderança.


A situação se agrava diante de uma rede de apoio muitas vezes insuficiente e de uma construção social que atribui às mulheres a responsabilidade quase exclusiva pelas obrigações familiares, enquanto os homens são socialmente autorizados a priorizar outras áreas da vida, mesmo quando são pais.


Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 11 milhões de mulheres estão fora da força de trabalho no Brasil por responsabilidades domésticas e familiares, o que evidencia que esse não é um fenômeno individual, mas estrutural.


As estatísticas não são novidade. Ainda assim, no Brasil, o reconhecimento da trajetória feminina continua enfrentando entraves arcaicos. No fim do ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou projeto que amplia gradativamente a licença-paternidade de 5 para 20 dias, reforçando que o próprio Estado brasileiro ainda preserva papéis sociais profundamente desiguais entre homens e mulheres.