Soberania e luta na colina sagrada

Marcada pelo sincretismo religioso, a Lavagem do Bonfim reúne expressões do catolicismo e das religiões de matriz africana, consolidando-se como espaço de identidade cultural e mobilização social.

Por Julia Portela

Nas ruas de Salvador, a tradição se transformou em resistência popular durante a Lavagem do Bonfim. Realizada nesta quinta-feira (15), a celebração reuniu milhares de fiéis e trabalhadores desde as primeiras horas da manhã. O cortejo saiu da Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio, às 9h, e seguiu até a Colina Sagrada, reafirmando uma manifestação popular que atravessa mais de dois séculos de história, fé e luta do povo baiano.

 


Marcada pelo sincretismo religioso, a Lavagem do Bonfim reúne expressões do catolicismo e das religiões de matriz africana, consolidando-se como espaço de identidade cultural e mobilização social. Muito além de um ato religioso, a celebração ocupa historicamente as ruas como símbolo da força coletiva e da organização popular frente às desigualdades sociais.

 


O Sindicato dos Bancários da Bahia esteve presente no bloco dos trabalhadores, levando às ruas bandeiras centrais para o Brasil atual, como a defesa da democracia e da soberania nacional. A participação reafirmou o compromisso da categoria com a luta em defesa dos direitos sociais, do emprego, da saúde do trabalhador e do fortalecimento dos serviços públicos.

 


Ao longo do percurso, os protestos dialogaram com o cenário político e econômico nacional e internacional, marcado pelo avanço de políticas ultraliberais, pela ofensiva do imperialismo sobre os povos da América Latina e pelo aprofundamento das desigualdades sociais. Em meio à fé e à tradição, a Lavagem do Senhor do Bonfim reafirmou-se como espaço de denúncia, resistência e afirmação da luta da classe trabalhadora.