Greves defensivas expõem a precarização do trabalho
Segundo o Balanço das Greves do Dieese, 82% das paralisações buscaram garantir direitos já existentes ou denunciar o descumprimento de questões, como salários atrasados, precarização das condições laborais e falta de insumos básicos.
Por Ana Beatriz Leal
A maioria das greves realizadas no Brasil no primeiro semestre de 2025 teve caráter defensivo, o que evidencia a deterioração dos direitos trabalhistas e das condições de trabalho imposta pelo setor empresarial.
Segundo o Balanço das Greves do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), 82% das paralisações buscaram garantir direitos já existentes ou denunciar o descumprimento de questões, como salários atrasados, precarização das condições laborais e falta de insumos básicos.
Foram registradas 536 greves no período, aumento de 16% em relação ao primeiro semestre de 2024, quando ocorreram 462 mobilizações. Pela primeira vez em dois anos, as paralisações na esfera privada superaram as do setor público: 282 greves ocorreram em empresas privadas (53% do total), frente a 219 no funcionalismo público (41%). Nas estatais, saíram de 19 para 34 movimentos paredistas, alta de 79%.
No setor privado, as reivindicações refletem a precarização do trabalho. O pagamento de salários atrasados esteve presente em 41% das greves, seguido por demandas relacionadas à alimentação (39%) e reajuste salarial (26%). Transportes urbanos e serviços de hospitalidade concentraram quase metade das paralisações, sendo que 89,7% ocorreram em empresa ou unidade, e 71% foram por tempo indeterminado.
As greves do semestre resultaram em 17.877 horas paradas. Embora o setor privado tenha concentrado o maior número de mobilizações, o funcionalismo público respondeu por 56% do total de horas interrompidas, devido à maior duração das paralisações, sobretudo em áreas essenciais como educação e saúde.
Apesar do predomínio defensivo, 49% das greves também apresentaram reivindicações propositivas, como novos benefícios ou ampliação de direitos.
