Meta cumprida, trabalhador adoecido
O crescimento considera o volume de caixas adquiridas entre janeiro e agosto de 2022 e o mesmo período de 2025, evidenciando a escalada do sofrimento mental no ambiente profissional.
Por Julia Portela
A intensificação da exploração do trabalho, marcada por metas abusivas, pressão permanente, salários rebaixados e pela lógica produtivista da vida corrida, tem aprofundado o adoecimento mental da classe trabalhadora. Este modelo, sustentado por práticas ultraliberais, impõe ritmos desumanos, corrói direitos e empurra milhões de pessoas ao esgotamento físico e psíquico, transformando o burnout em consequência direta da organização do trabalho.
Levantamento com dados de usuários do Programa de Benefícios em Medicamentos corporativo da epharma aponta que, em três anos, houve aumento de 4,5% na compra de medicamentos psiquiátricos. O crescimento considera o volume de caixas adquiridas entre janeiro e agosto de 2022 e o mesmo período de 2025, evidenciando a escalada do sofrimento mental no ambiente profissional.
O avanço mais expressivo no consumo desses medicamentos ocorre entre pessoas de 26 a 45 anos, faixa etária economicamente ativa e fortemente inserida no mercado de trabalho. O dado expõe o impacto de um sistema que normaliza o adoecimento como custo da produtividade e reforça a urgência de políticas de proteção à saúde mental, valorização salarial e limites claros à exploração no mundo do trabalho. (JP)
