Violência política é realidade cada vez mais frequente

Estudo da USP e do Cebrap aponta que, entre 2003 e 2023, 1.228 pessoas foram vítimas de violência política letal no país, considerando assassinatos, tentativas de assassinato e ameaças graves de morte. O levantamento analisou casos envolvendo políticos e ativistas. Do total, 760 pessoas foram mortas, 358 sofreram tentativas de assassinato e 110 receberam ameaças graves.

Por Itana Oliveira

A polarização política no mundo não é nova, mas o cenário atual ampliou o conflito com a combinação de fatores como o avanço da internet, ainda pouco regulamentada, que intensifica disputas já existentes. No Brasil, a situação se agrava ano após ano.


Estudo da USP e do Cebrap aponta que, entre 2003 e 2023, 1.228 pessoas foram vítimas de violência política letal no país, considerando assassinatos, tentativas de assassinato e ameaças graves de morte. O levantamento analisou casos envolvendo políticos e ativistas. Do total, 760 pessoas foram mortas, 358 sofreram tentativas de assassinato e 110 receberam ameaças graves.


Entre políticos, 83% das mortes ocorreram em áreas urbanas, com maior incidência durante eleições municipais. Já entre ativistas, 72% dos assassinatos aconteceram em regiões rurais ou florestais, principalmente em conflitos por terra. Roraima e Mato Grosso do Sul registraram as maiores taxas proporcionais de violência política.


A maioria dos assassinatos foi cometida com armas de fogo, que representam 88% dos casos, seguida por armas brancas. 


Os números mostram que as mortes atingiram os níveis mais baixos nos governos Lula 1 e Lula 2, aumentaram no final do segundo mandato de Dilma Rousseff, associado por especialistas ao momento de crise política que levou ao impeachment e permaneceram elevadas durante os governos Temer e Jair Bolsonaro, com redução pontual durante a pandemia de Covid-19.


Os dados se relacionam diretamente com o incentivo à violência política promovido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante seu governo, o uso simbólico de armas foi recorrente, além do estímulo à ampliação do acesso a armamentos. Entre 2019 e 2022, o governo Bolsonaro concedeu em média 691 registros de novas armas por dia para CACs (Colecionadores, atiradores desportivos e caçadores) totalizando 904.858 autorizações, segundo dados do Exército. Bolsonaro também foi apontado como propulsor dos ataques à Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023 e segue preso, após condenação, junto a aliados políticos.