Bahia pode garantir reconstrução mamaria
Em um país onde mulheres enfrentam filas, demora no atendimento e descaso histórico na saúde, garantir reconstrução mamária pelo SUS é afirmar que dignidade não é luxo, é direito.
Por Julia Portela
Em um país onde mulheres enfrentam filas, demora no atendimento e descaso histórico na saúde, garantir reconstrução mamária pelo SUS é afirmar que dignidade não é luxo, é direito. Tramita na Assembleia Legislativa da Bahia projeto de lei que assegura a cirurgia plástica reparadora da mama para mulheres que sofreram mutilação total ou parcial, além de garantir acesso à informação sobre o procedimento na rede pública estadual.
O texto prevê que a reconstrução seja realizada, preferencialmente, de forma imediata à mastectomia, quando houver indicação médica e desejo da paciente. A iniciativa reconhece que o tratamento contra o câncer de mama não termina na retirada do tumor. A perda da mama impacta a autoestima, a saúde mental e a qualidade de vida, exigindo uma abordagem integral e humanizada.
A proposta também determina que a equipe médica registre formalmente a orientação sobre o direito à cirurgia e assegura acompanhamento psicológico e multidisciplinar durante o processo de reabilitação. A medida reafirma que saúde pública não pode se limitar ao procedimento cirúrgico, mas deve contemplar cuidado completo e respeito às pacientes.
Embora a reconstrução mamária já seja garantida pelo SUS em casos decorrentes de câncer, a regulamentação estadual fortalece a efetivação do direito e amplia o acesso à informação. Em Salvador, o Hospital da Mulher realiza o procedimento para pacientes tratadas na unidade. A aprovação do projeto representa avanço na defesa de uma saúde pública forte, acessível e comprometida com a dignidade das mulheres trabalhadoras.
