Gestão pelo medo, crime silenciado

Dados recentes apontam que a Justiça do Trabalho recebeu 142.828 novos processos de assédio moral, um aumento de 22% em relação ao ano anterior.

Por Julia Portela

O que muitas vezes é tratado como “pressão por metas” ou “cobrança por resultado” tem nome e consequência: violência no trabalho. A escalada do assédio moral e sexual revela a face mais cruel de um modelo de gestão que naturaliza o medo, a humilhação e o silêncio como ferramentas de produtividade.

 

 

Dados recentes apontam que a Justiça do Trabalho recebeu 142.828 novos processos de assédio moral, um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Nos casos de assédio sexual, foram 12.813 novas ações trabalhistas, crescimento de 40% em comparação com 2024. Os números não surgem do nada: são reflexo de ambientes marcados por metas abusivas, hierarquias autoritárias e práticas que constrangem e isolam trabalhadores até o limite da saúde física e mental.

 

 

O assédio se constrói de forma gradual, por meio de manipulações que tentam normalizar o inaceitável. A violência é disfarçada de “brincadeira”, “exigência profissional” ou “cultura da empresa”, dificultando a identificação do abuso. Romper este ciclo exige conscientização permanente, fortalecimento dos canais de denúncia, campanhas efetivas e enfrentamento direto das estruturas que sustentam tais práticas.

 

 

A Justiça do Trabalho reforça que examina cada violência buscando nomear corretamente as condutas e responsabilizar os agressores, garantindo reparação pelos danos emocionais, sociais e profissionais causados. Mas a transformação real depende da organização coletiva e da denúncia. Enquanto a lógica ultraliberal tratar pessoas como números, o assédio continuará sendo instrumento de gestão, e combatê-lo seguirá como tarefa urgente dos trabalhadores.