Juventude sob ataque das redes

Criminosos utilizam perfis abertos para estabelecer contato, constroem falsas relações de confiança e transferem as conversas para ambientes privados, onde consolidam a violência.

Por Julia Portela

A exploração sexual de adolescentes deixou de estar restrita às ruas e passou a operar de forma silenciosa nas telas de celulares e computadores. A cada cinco jovens brasileiros entre 12 e 17 anos, um já sofreu algum tipo de violência sexual em ambiente digital no período de um ano, retrato brutal de como a tecnologia, sem controle e sem responsabilidade social, tem sido utilizada para violar direitos.

 

O estudo divulgado pela UNICEF, em parceria com a ECPAT e a Interpol, revela que os crimes vão do aliciamento à extorsão, passando pela produção e disseminação de material de abuso. Não se trata de casos isolados, mas de um fenômeno estrutural que encontra terreno fértil na ausência de fiscalização rigorosa das plataformas digitais.

 

Criminosos utilizam perfis abertos para estabelecer contato, constroem falsas relações de confiança e transferem as conversas para ambientes privados, onde consolidam a violência. A dinâmica é calculada e se apoia na fragilidade das redes de proteção e na falta de responsabilização efetiva das empresas que lucram com a circulação de dados e conteúdos.

 

Diante deste cenário, é indispensável fortalecer políticas públicas, ampliar a regulação das big techs e garantir mecanismos de proteção que priorizem a vida e a dignidade da juventude. A defesa de crianças e adolescentes não pode ser subordinada aos interesses do mercado digital.