Violência doméstica leva mulheres a se afastarem do trabalho

A maior parte dos afastamentos está associada a agressões físicas, responsáveis por 85% dos registros presentes nos atestados médicos. Os casos classificados como maus-tratos representam 10%. Também aparecem ocorrências de negligência e abandono, com 3,2%, além de episódios de agressão sexual mediante força física, que correspondem a 0,82%.

Por Itana Oliveira

Epidemia social é exatamente o que está acontecendo nos casos de violência contra a mulher no Brasil. A questão atravessa diferentes setores da sociedade e seus efeitos são percebidos com nitidez. Dados da VR Benefícios mostram que os afastamentos do trabalho provocados por violência doméstica cresceram 152% entre 2023 e 2025.


Os números surgem como um alerta no mês dedicado às mulheres. Não há o que comemorar. Em vez de celebração, as estatísticas expõem medo e insegurança, diante da brutalidade dos fatos, que afetam a vida de milhares de trabalhadoras brasileiras.


O levantamento analisou cerca de 4 milhões de trabalhadores ligados à base de clientes da empresa, sendo 47% mulheres. Neste universo foram identificados 122 afastamentos do trabalho relacionados à violência de gênero. A escalada é contínua ao longo dos três anos observados. Em 2023 foram registrados 23 casos. Em 2024 o número subiu para 41. Em 2025 chegou a 58 ocorrências, o maior patamar da série analisada.


A maior parte dos afastamentos está associada a agressões físicas, responsáveis por 85% dos registros presentes nos atestados médicos. Os casos classificados como maus-tratos representam 10%. Também aparecem ocorrências de negligência e abandono, com 3,2%, além de episódios de agressão sexual mediante força física, que correspondem a 0,82%.


A classificação segue os códigos da OMS (Organização Mundial da Saúde) utilizados na emissão de atestados médicos.