IA aquece e lucra

O avanço dessas tecnologias ocorre sob a lógica de concentração de renda e poder, em que grandes corporações ampliam lucros enquanto externalizam os custos ambientais.

Por Julia Portela

A expansão acelerada de centros de dados ligados à inteligência artificial acende um alerta ambiental: estruturas que sustentam o avanço tecnológico também intensificam o aquecimento local. O alto consumo de energia e os sistemas de refrigeração transformam essas instalações em focos de calor, com impacto direto sobre o território e a população ao redor.

 

Estudo da Universidade de Cambridge aponta que regiões próximas a centros de dados registraram aumento médio de 1,8°C após a instalação dessas estruturas, com casos extremos chegando a 9,1°C. O fenômeno das chamadas “ilhas de calor” pode se estender por até dez quilômetros, agravando condições climáticas já pressionadas pelas mudanças globais.

 

O avanço dessas tecnologias ocorre sob a lógica de concentração de renda e poder, em que grandes corporações ampliam lucros enquanto externalizam os custos ambientais. O consumo energético massivo e seus efeitos sobre o clima expõem contradições de um modelo que prioriza eficiência econômica para poucos, ignorando impactos coletivos.

 

Diante desse cenário, cresce a necessidade de regulação e responsabilização das empresas de tecnologia. Sem políticas públicas que enfrentem os danos ambientais e limitem a exploração desenfreada de recursos, o desenvolvimento tecnológico seguirá aprofundando desigualdades e agravando a crise climática que atinge, sobretudo, os mais pobres.