Capacitismo na Caixa, a pedra no caminho dos autistas
No Brasil, a estimativa é que apenas 15% dos adultos autistas estejam no mercado de trabalho. Além do quantitativo diminuto, do preconceito, dos olhares tortos e do desconhecimento, o trabalhador que tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) esbarra em uma pedra no caminho: o capacitismo atitudinal.
Por Ana Beatriz Leal
No Brasil, a estimativa é que apenas 15% dos adultos autistas estejam no mercado de trabalho. Além do quantitativo diminuto, do preconceito, dos olhares tortos e do desconhecimento, o trabalhador que tem TEA (Transtorno do Espectro Autista) esbarra em uma pedra no caminho: o capacitismo atitudinal.
São comportamentos, preconceitos e estigmas que colocam os autistas em caixinhas em que se assumem que são pessoas incapazes ou inferiores. Um erro. São barreiras que geram sofrimento e adoecimento. Diante desta realidade, surgiu o Coletivo Caixa Autista, cujo objetivo é abrir um canal de diálogo dentro do banco sobre o capacitismo no ambiente laboral.
O coletivo reúne autistas empregados da Caixa de todo o Brasil, que deu a visibilidade às dificuldades enfrentadas por quem tem TEA e outras neurodivergências. Os problemas vão desde o reconhecimento da condição até o suporte adequado na empresa.
A busca pelo diagnóstico já é um processo difícil. A rede credenciada do Saúde Caixa tem poucos profissionais especializados em avaliação neuropsicológica para adultos. Quando chega na agência, mais barreiras.
Um ambiente não adaptado pode gerar sobrecarga sensorial e emocional intensa, com impactos na saúde e na permanência no trabalho. Estes processos podem gerar meltdown, resposta involuntária explosiva, visível e externalizada, e shutdown, silenciosa, passiva e internalizada.
Portanto, o Coletivo Caixa Autista joga papel fundamental na construção de caminhos fluídos, sem obstáculos, e ações de conscientização para criar e fortalecer práticas institucionais inclusivas. Transformar informação em ação.
