Crimes contra jornalistas terão investigação rígida

A violência contra profissionais da área carrega a forte memória da ditadura militar, período em que jornalistas entraram em confronto com o governo, que censurava informações sobre os massacres que aconteciam na época.

Por Itana Oliveira

A essência jornalística nasceu da necessidade de informar, mas as exposições, nas telas ou nos bastidores, são inerentes à profissão e, infelizmente, trazem consequências nocivas aos profissionais da mídia. Desta forma, além de necessário, é simbólico o protocolo nacional específico para investigar crimes contra jornalistas e comunicadores, formalizado nesta terça-feira (07/04), Dia do Jornalista, pelo governo federal. 

 

Na prática, a medida garante a prevenção, apuração e responsabilização de crimes cometidos em razão da atividade jornalística, reconhecendo que os ataques ultrapassam consequências individuais e impactam diretamente a liberdade de expressão, o direito à informação e consequentemente a democracia, além de estabelecer proteção imediata às vítimas.

 

A violência contra profissionais da área carrega a forte memória da ditadura militar, período em que jornalistas entraram em confronto com o governo, que censurava informações sobre os massacres que aconteciam na época. Na memória mais recente, o país também traz a vergonhosa recordação do ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, que em diversas ocasiões, inclusive em coletivas de imprensa, ofendeu, xingou e assediou jornalistas sem qualquer receio, mesmo diante das câmeras, fato que evidencia a urgência de uma atuação rígida sobre o tema, além de expor o contraste entre o governo anterior e o atual.