Quando o sofrimento psíquico mostra a face mais severa
Ano passado, 14,75% dos trabalhadores avaliados no Censo de Saúde Mental 2025 relataram ideação suicida.
Por Ana Beatriz Leal
O dado perturba, incomoda, preocupa e leva à reflexão sobre o sofrimento psíquico da classe trabalhadora. Ano passado, 14,75% dos trabalhadores avaliados no Censo de Saúde Mental 2025 relataram ideação suicida.
Realizado pela Vittude, empresa especializada em programas de saúde mental para organizações, o estudo levou em consideração diferentes funções e níveis hierárquicos e reuniu respostas de 174.475 pessoas em 35 grandes empresas de todas as regiões do Brasil.
A propensão à síndrome de burnout também aparece no censo. Ao todo, 5,94% dos participantes apresentaram alta probabilidade de atingir o esgotamento. No primeiro momento o número pode parecer baixo, mas os desdobramentos preocupam. O Brasil é o segundo país com mais casos da doença, que afeta cerca de 30% dos trabalhadores.
De acordo com o levantamento, 37,8% da força de trabalho apresentamb sintomas relevantes de sofrimento psíquico, quase 15% em nível severo, capaz de comprometer funções cognitivas como atenção e memória, reduzir desempenho e elevar custos com afastamentos, acidentes de trabalho e rotatividade.
O adoecimento está diretamente ligado ao ambiente de trabalho inadequado, cercado de metas, assédios e falta de condições de trabalho. Mas, vai muito além disto. As situações no cotidiano laboral se somam a fatores como vulnerabilidade social, o que inclui longos deslocamentos, insegurança alimentar e jornadas múltiplas para complementação de renda, ampliando assim o risco de sofrimento psíquico.
