O alto custo da digitalização

No Brasil, 2.649 municípios estão de fora do sistema bancário. Desses, 638 ficaram sem qualquer agência nos últimas 10 anos. Isso significa que quase 20 milhões de cidadãos vivem em locais onde ter acesso ao serviço exige deslocamento, tempo e, muitas vezes, dinheiro que não sobra.

Por Rose Lima

Ir ao banco virou um verdadeiro desafio para milhões de brasileiros. Em 10 anos, o país perdeu 37% das agências. Hoje são pouco mais de 14 mil unidades, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico). As empresas chamam o processo de modernização, no entanto, na prática, significa mais distância e exclusão.

 

Com menos estruturas físicas e mais aplicativos, o corte de custos aparece nas estatísticas e na vida cotidiana de milhões de pessoas. No Brasil, 2.649 municípios estão de fora do sistema bancário. Desses, 638 ficaram sem qualquer agência nos últimas 10 anos. Isso significa que quase 20 milhões de cidadãos vivem em locais onde ter acesso ao serviço exige deslocamento, tempo e, muitas vezes, dinheiro que não sobra.

 

É aí que a justificativa de inclusão digital falha. A substituição do caixa humano pelo celular seleciona quem fica e quem é deixado para trás. Idosos, pessoas com baixa escolaridade, moradores de áreas rurais ou com acesso precário à internet enfrentam barreiras para usar serviços digitais. 

 

Sem falar na falta que faz o contato humano. O gerente que orienta, o caixa que resolve, o atendimento que acolhe. No lugar, surgem interfaces padronizadas e canais automatizados que não dão conta da complexidade das demandas.