Data marca luta pela saúde no trabalho e memória de vítimas acidentadas
As questões físicas também estão presentes na rotina dos trabalhadores. Ainda segundo a Previdência, queixas relacionadas à dorsalgia levaram 237.113 pessoas a se afastarem por mais de 15 dias.
Por Itana Oliveira
A cada ano se torna mais simbólica a data que marca o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, 28 de abril, diante do elevado número de afastamentos do trabalho por questões de saúde, tanto físicas quanto mentais.
No ano passado, o Brasil teve recorde de afastamentos por saúde mental, o maior em dez anos. Segundo o Ministério da Previdência Social, mais de meio milhão (546.254) de trabalhadores precisaram de licença para tratar questões psicológicas. O cenário é bem conhecido pelos bancários: a categoria registrou aumento de 168% entre 2014 e 2024, chegando a 14.525 profissionais afastados.
As questões físicas também estão presentes na rotina dos trabalhadores. Ainda segundo a Previdência, queixas relacionadas à dorsalgia levaram 237.113 pessoas a se afastarem por mais de 15 dias. As hérnias de disco totalizaram 208.727 casos. Na sequência, aparecem as fraturas da perna, incluindo tornozelos, com 179.743 registros.
No país, a data também marca o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho. O momento exige atenção ao avanço, pois no último ano, o Brasil registrou o maior número de mortes no trabalho, com 806.011 acidentes e 3.644 óbitos, segundo estudo da SIT (Secretaria de Inspeção do Trabalho), vinculada MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
Entre 2016 e 2025, o país acumulou 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes, além de mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos por afastamentos temporários e cerca de 249 milhões de dias debitados, indicador que mede o impacto permanente de lesões graves e óbitos na vida dos trabalhadores.
Os índices expõem um cenário conhecido historicamente, marcado por precarização no ambiente profissional, fiscalização insuficiente e pela pressão constante para manter o emprego. Nesse contexto, muitos trabalhadores permanecem expostos a riscos graves, que colocam em perigo a própria vida.
As entidades sindicais atuam de forma contínua na defesa de melhores condições, mas enfrentam limites concretos diante do poder econômico das grandes empresas, o que torna essa disputa desigual e prolongada.


