Apostas geram alerta social

Segundo a pesquisa, quase 80% dos entrevistados afirmam que as chamadas “bets” trazem mais prejuízos do que benefícios para a sociedade, evidenciando uma percepção negativa consolidada sobre o tema.

Por Caio Ribeiro

Levantamento da AtlasIntel revela que a ampla maioria da população brasileira vê com preocupação o avanço das apostas online. Segundo a pesquisa, quase 80% dos entrevistados afirmam que as chamadas “bets” trazem mais prejuízos do que benefícios para a sociedade, evidenciando uma percepção negativa consolidada sobre o tema. Além disto, cerca de 90% se posicionam contra o uso de recursos de programas sociais, como o Bolsa Família, em plataformas de apostas, reforçando o entendimento de que a prática agrava desigualdades e vulnerabilidades sociais.

 

Os dados dialogam com um cenário mais amplo de impactos econômicos e sociais. Estudos recentes apontam que as apostas online já geram prejuízos anuais estimados em até R$ 38,8 bilhões no Brasil, considerando efeitos como endividamento das famílias, desemprego e agravamento de problemas de saúde mental. O crescimento acelerado do mercado, impulsionado pela publicidade e pela facilidade de acesso digital, tem ampliado o alcance das plataformas, inclusive entre trabalhadores e populações de baixa renda.

 

Do ponto de vista da saúde pública, especialistas alertam para a relação direta entre o vício em jogos e o aumento de depressão, ansiedade e até suicídio. Apenas os custos ligados à saúde já ultrapassam R$ 30 bilhões por ano, pressionando o sistema público e evidenciando que os impactos vão muito além das perdas financeiras individuais.

 

Diante desse quadro, cresce a necessidade de regulação mais rigorosa do setor, com medidas que limitem a publicidade, protejam os mais vulneráveis e ampliem políticas de prevenção e tratamento. Para o movimento sindical, o avanço das bets representa não apenas um problema econômico, mas uma ameaça direta à renda, à saúde e à dignidade da classe trabalhadora.