Procon expõe precarização do Bradesco e todo sistema
A medida cautelar foi tomada após uma sequência de denúncias de mau atendimento à população, consequência direta do sucateamento dos serviços prestados pela instituição financeira.
Por Julia Portela
A proibição de parte das atividades da agência Barão do Rio Branco, do Bradesco, em Juiz de Fora (MG), reafirma denúncias que o movimento bancário, especialmente o Sindicato da Bahia, faz há muito tempo sobre as práticas abusivas dos bancos contra clientes e empregados.
O Procon-MG impediu, pelo prazo de um mês, o banco de abrir novas contas, captação de clientes e a venda de produtos como seguros, consórcios, previdência privada e títulos de capitalização.
A medida cautelar foi tomada após uma sequência de denúncias de mau atendimento à população, consequência direta do sucateamento dos serviços prestados pela instituição financeira.
A realidade é que o problema não está na competência dos trabalhadores, mas sim na política de redução de custos adotada pela empresa. As irregularidades flagradas pelo Procon no Bradesco se repetem nas agências de todos os bancos. Se houver uma fiscalização rigorosa, não escapa nenhum.
Fechamento de agências, juros escorchantes, cobrança exagerada de serviços, redução do quadro de pessoal, metas abusivas e sobrecarga de trabalho fazem parte do funcionamento do sistema financeiro no Brasil, que adoece os bancários e explora a sociedade.
A punição também proíbe ações de marketing e o envio de ofertas comerciais. Caso as determinações sejam descumpridas, a multa diária prevista é de R$ 50 mil.
Se os órgãos de defesa do consumidor resolverem aplicar esse mesmo rigor em todo o sistema financeiro, vai ser um verdadeiro “Deus nos acuda”. O caso expõe uma realidade denunciada diariamente: os bancos sacrificam os trabalhadores e clientes para ampliar, irresponsavelmente, lucros bilionários.


