Recuo escancara medo das urnas
Sob a desculpa de evitar “distorções no debate”, o que ficou evidente foi o temor da base conservadora diante da reação da população.
Por Julia Portela
Depois de tentar empurrar para o trabalhador o custo dos interesses das elites, o Centrão recuou diante da forte reação popular e do temor do desgaste eleitoral. A mobilização social expôs o que estava em jogo: mais exploração, jornadas exaustivas e ataques a direitos históricos dos trabalhadores.
Líderes do grupo solicitaram a retirada da tramitação da emenda à PEC do fim da escala 6x1, proposta que abria brechas para jornadas de até 52 horas semanais e adiava por 10 anos a redução da carga horária dos trabalhadores.
Sob a desculpa de evitar “distorções no debate”, o que ficou evidente foi o temor da base conservadora diante da reação da população. Quando o povo toma conhecimento do projeto de retirada de direitos defendido pelo Centrão e pelos bolsonaristas, o discurso muda rapidamente para preservar privilégios e mandatos.
O recuo representa mais uma derrota para os setores que tentam transformar o trabalhador em máquina de gerar lucro, enquanto mantêm supersalários, benefícios e regalias no Congresso Nacional. A mobilização popular e o debate público seguem fundamentais para barrar qualquer nova tentativa de ataque contra a população.


