Governo enfrenta lobby alimentar
Para milhões de famílias, consumir os produtos está ligado ao preço alto da comida saudável, à falta de tempo e às jornadas exaustivas de trabalho.
Por Ana Beatriz Leal
É comum ouvir que “a gente está comendo plástico”. Os alimentos ultraprocessados dominam as prateleiras dos mercados e das mesas brasileiras, agravando um problema que vai além da escolha individual. Para milhões de famílias, consumir os produtos está ligado ao preço alto da comida saudável, à falta de tempo e às jornadas exaustivas de trabalho.
Diante do quadro preocupante, o governo brasileiro apresentou à OMS (Organização Mundial da Saúde) uma proposta para endurecer as regras internacionais sobre a venda e a publicidade de alimentos ultraprocessados, especialmente para proteger crianças e adolescentes da influência da indústria alimentícia.
O alerta é grave. Segundo o Atlas Mundial da Obesidade de 2026, metade das crianças e adolescentes brasileiros pode ter obesidade ou sobrepeso até 2040. Já estudo da revista The Lancet aponta que o consumo de ultraprocessados cresceu 13% na alimentação diária dos brasileiros nas últimas quatro décadas.
A expectativa é que a proposta seja analisada na próxima Assembleia Mundial da Saúde, em 2027.


